{"id":150,"date":"2021-06-08T14:50:03","date_gmt":"2021-06-08T17:50:03","guid":{"rendered":"https:\/\/cinemadosquilombos.wordpress.com\/?page_id=150"},"modified":"2021-06-08T14:50:03","modified_gmt":"2021-06-08T17:50:03","slug":"2a-mostra-de-cinema-dos-quilombos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/cinemadosquilombos.com.br\/index.php\/2a-mostra-de-cinema-dos-quilombos\/","title":{"rendered":"Nota da Curadoria"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-176\" src=\"https:\/\/cinemadosquilombos.files.wordpress.com\/2021\/07\/cabeccca7alho_site_2mcq-01.jpg\" alt=\"cabec\u0327alho_site_2mcq-01\" width=\"1182\" height=\"788\" \/><\/p>\n<p>De 14 a 24 de julho acontece a 2\u00aa Mostra de Cinema dos Quilombos, totalmente online e gratuita. A mostra \u00e9 um resultado parcial da pesquisa\/levantamento iniciada em junho de 2020, pelo projeto Cinema dos Quilombos, em parceria com as curadoras Alessandra Brito e Maya Quilolo, sobre o cinema feito nos quilombos no Brasil. A mostra recebeu inscri\u00e7\u00f5es de filmes realizados em quilombos, dirigidos por realizadores quilombolas, negros e brancos aliados \u00e0s lutas antirracistas no pa\u00eds. As inscri\u00e7\u00f5es para filmes continuam abertas e podem ser feitas na p\u00e1gina da <a href=\"https:\/\/cinemadosquilombos.wordpress.com\/convocatoria-de-filmes\/\">convocat\u00f3ria<\/a>.<\/p>\n<p>Em sua segunda edi\u00e7\u00e3o a mostra conta com a curadoria coletiva junto aos quilombolas do Quilombo dos Marques, co-organizadores da atividade. O objetivo do evento \u00e9 discutir quest\u00f5es importantes para a luta negra a partir da voz e protagonismo quilombola no cinema feito nos territ\u00f3rios de Quilombo. Os debates ser\u00e3o guiados pelos curadores quilombolas Edson Quilombola, Wiliam de Souza Franco, Maria Eunice de Souza Franco, Claudiene de S. Santos Almeida, Rosinere de Souza Franco, Dione Marques de Souza.<\/p>\n<p>A iniciativa pretende contribuir para os processos de resist\u00eancia dessas comunidades criando espa\u00e7os de debate e visibilidade das quest\u00f5es trazidas pelos quilombolas a partir do cinema. A programa\u00e7\u00e3o da mostra traz as vozes ressoadas das imagens feitas no quilombo, juntamente com as reflex\u00f5es e escritas da experi\u00eancia coletiva de curadoria.<\/p>\n<p><strong>Programa\u00e7\u00e3o 14 a 24 de julho<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sess\u00e3o 1: &#8220;Aqui \u00e9 o nosso sossego, aqui \u00e9 nossa casa, aqui \u00e9 o nosso territ\u00f3rio, aqui \u00e9 onde a gente quer ficar&#8221; &#8211; Maria Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A fala de Maria Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o, quilombola do Quilombo Santa Rosa dos Pretos abre os caminhos da sess\u00e3o voltada para a import\u00e2ncia dos territ\u00f3rios quilombolas. No filme &#8220;Quilombo Mata Cavalo&#8221; (2018) dirigido por Jurandir Amaral, os quilombolas de Mata Cavalo contam as trajet\u00f3rias de luta do quilombo. Expulsos diversas vezes de seu territ\u00f3rio por grileiros, o Quilombo resistiu durante 70 anos \u00e0s diversas tentativas de desapropria\u00e7\u00e3o at\u00e9 que fosse conclu\u00eddo o seu processo de certifica\u00e7\u00e3o em 2009. Com a ajuda de seus guias e entidades a comunidade \u00e9 um exemplo da for\u00e7a quilombola pela retomada das suas terras de direito e afeto.\u00a0&#8220;Cumbe &#8211; mem\u00f3rias quilombolas&#8221; (2020), de Iorana Silva, Vivian Raqueli Silva, Nicolas Michel Silva, Jhonatan Moreira, Nicoly Silva, Ant\u00f4nio Martins Neto, Robert Rocha, Ednilson Oliveira, Tiana Cassiano, Amanda Nogueira e Cleomar Rocha, apresenta o olhar das crian\u00e7as e jovens do Quilombo do Cumbe para o seu territ\u00f3rio. O mangue, &#8220;portal do mar&#8221; nas palavras dos quilombolas de Cumbe, \u00e9 retiro de pensamento, energia e imagina\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e jovens. Com imagens gravadas pelos pr\u00f3prios quilombolas, o filme narra o cotidiano de descobertas e pensamentos sobre os mangues, as dunas e os registros arqueol\u00f3gicos encontrados pelos jovens de Cumbe. &#8220;O mundo preto tem mais vida&#8221; (2019), de Sabrina Duran,\u00a0 traz a narrativa de luta e pensamento dos quilombolas do Quilombo Santa Rosa dos Pretos, que enfrentam h\u00e1 mais de 40 anos as perversidades de empreendimentos de grande impacto como a minera\u00e7\u00e3o e o agroneg\u00f3cio. A comunidade coloca em quest\u00e3o os conflitos entre os modos de vida do Quilombo e os &#8220;interesses do pa\u00eds&#8221;. &#8220;Mas que pa\u00eds \u00e9 esse?&#8221; \u00e9 o que interroga a quilombola Jucicleia, para ela &#8220;a ideia de modernidade \u00e9 uma ideia de morte&#8221; que atinge o seu mundo negro, repleto de vida. A luta quilombola aparece ent\u00e3o como vontade de afirma\u00e7\u00e3o da vida, porque &#8220;eles sabem que a gente \u00e9 vivo, eles querem matar o \u00fanico resqu\u00edcio de vida que ainda h\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>14\/7\/21 \u2013 Quarta-feira \/ 19h<br \/>\nDebate com realizadores. Media\u00e7\u00e3o: Edson Quilombola e Rosinere Franco<\/p>\n<p><strong>Sess\u00e3o 2: &#8220;Estiano o tino do tempo&#8221; &#8211; Seu Arlindo.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Na sess\u00e3o &#8220;Estiano o tino do tempo&#8221; abordamos a criatividade do tempo quilombola. As m\u00e3os que fazem o artesanato, a culin\u00e1ria e os batuques tamb\u00e9m apontam o tempo de contar as hist\u00f3rias dos fazeres e saberes dos antepassados. \u201cCofo do Rampa\u201d (2019), de Na\u00fdra Albuquerque mostra o saber-fazer do cofo no Quilombo do Rampa, utilizado na pescaria, na cozinha e decora\u00e7\u00e3o t\u00edpicas maranhenses. &#8220;Jac\u00e1 do Quilombo&#8221; (2020) de Raimundo Jos\u00e9 e Aparecida Leite traz a feitura do Jac\u00e1, cestaria de for\u00e7a no saber de Modesto Santos. Em \u201cA viagem de seu Arlindo\u201d (2018) de Sheila Alto\u00e9, Marluce, filha de Arlindo, nos conta a hist\u00f3ria de como seu pai se preparou para a grande viagem de sua vida.<\/p>\n<p>17\/7\/21 \u2013 S\u00e1bado \/ 17h<br \/>\nDebate com realizadores. Media\u00e7\u00e3o: Alessandra Brito e Dione Marques<\/p>\n<p><strong>Sess\u00e3o 3: &#8220;Uma li\u00e7\u00e3o de vida&#8221; &#8211; Lucicleide Santos (Neguinha)\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o as palavras de Lucicleide Santos (Neguinha) que abrem a sess\u00e3o dedicada \u00e0 luta, for\u00e7a e resist\u00eancia\u00a0 das mulheres quilombolas. &#8220;Senhoras do dend\u00ea&#8221; (2019), de Auzerina Baptista e Jefferson Gon\u00e7alves Correia, traz narrativas das mulheres de Sap\u00ea do Norte, no Esp\u00edrito Santo, em torno do dend\u00ea e dos dendezeiros, \u00e1rvores quilombolas sagradas que est\u00e3o sendo extintas com a acusa\u00e7\u00e3o de serem &#8220;plantas ex\u00f3genas&#8221; ao bioma brasileiro. &#8220;Se o dend\u00ea \u00e9 invasor, n\u00f3s somos o que nesse Brasil?&#8221;, \u00e9 o que pergunta Dona Gessi, lembrando das sementes trazidas pelos africanos escravizados que reconstru\u00edram no Brasil &#8220;um peda\u00e7o da \u00c1frica&#8221;. Em &#8220;Mulher guerreira&#8221; (2015), Carl\u00facia de Melo Soares, diretora do filme, mostra as dificuldades e vit\u00f3rias de sua vida como mulher quilombola e a saben\u00e7a da supera\u00e7\u00e3o. &#8220;Retorno de Luzia&#8221; (2019), do coletivo Ficcionalizar, \u00e9 uma linda hist\u00f3ria de retorno para muitas mulheres quilombolas que saem de seus territ\u00f3rios em busca de trabalho e lidam com uma realidade de racismo e explora\u00e7\u00e3o nas grandes cidades. &#8220;Tudo que acontece na vida da gente tem um motivo&#8221;\u00a0 \u00e9 o que diz a personagem Luzia que retorna \u00e0 casa e heran\u00e7a africana de seu povo, um lindo toque de Afox\u00e9. Em &#8220;Pra se contar uma hist\u00f3ria&#8221; (2013), de Elen Linth, Lucicleide Santos, Diego Jesus, Leandro Rodrigues, Lucicleide (Neguinha) reflete sobre as belezas e dificuldades da vida no mangue no Quilombo do Iguape, bem como a rela\u00e7\u00e3o dos quilombolas com as imagens de cinema feitas na comunidade.<\/p>\n<p>20\/7\/21 \u2013 Ter\u00e7a-feira \/ 19h<br \/>\nDebate com realizadores. Media\u00e7\u00e3o: Maria Eunice e Claudiene de Souza Santos<\/p>\n<p><strong>Sess\u00e3o 4: &#8220;A Real for\u00e7a do sagrado&#8221; &#8211; Danilo Candombe<\/strong><\/p>\n<p>Nesta sess\u00e3o apresentamos filmes que convidam, resgatam e tensionam as tradi\u00e7\u00f5es culturais e religiosas presentes nas comunidades quilombolas e seu papel na constru\u00e7\u00e3o da identidade, dos afetos e da uni\u00e3o do Quilombo. No primeiro epis\u00f3dio da s\u00e9rie &#8220;Candombe do A\u00e7ude&#8221; (2020) de Danilo Candombe, a comunidade do A\u00e7ude reflete sobre a import\u00e2ncia e a centralidade do candombe em seu modo de vida. No contexto pand\u00eamico os quilombolas do Quilombo do A\u00e7ude, livres do ass\u00e9dio do turismo religioso, celebram o &#8220;tocar do tambu&#8221; como gesto de renova\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os de vida, afeto e religiosidade quilombola. &#8220;Tambor na Mata&#8221; (2019), de Raimundo Jos\u00e9 da Silva Leite, \u00e9 um filme celebra\u00e7\u00e3o da chegada do ano no Quilombo do Rampa, no dia 31 de dezembro os quilombolas do Quilombo do Rampa e regi\u00e3o se re\u00fanem para tocar os tambores, cada ano numa localidade. Este filme \u00e9 o registro da festa em &#8220;Cantin de Mass\u00e1&#8221; em homenagem ao tambozeiro Mass\u00e1. J\u00e1 o filme\u00a0 &#8220;Lealdade&#8221; (2019), de Ana Stela Cunha e Milla Negrah Avelar, tensiona a reprodu\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias culturais europ\u00e9ias no Quilombo de Dam\u00e1sio. O filme apresenta a controv\u00e9rsia entre duas irm\u00e3s a respeito da &#8220;dan\u00e7a portuguesa&#8221; muito comum nas festividades juninas no Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>24\/7\/21 \u2013 S\u00e1bado \/ 17h<br \/>\nDebate com realizadores. Media\u00e7\u00e3o: Maya Quilolo e Willian Souza Franco<br \/>\nFala de Encerramento: Curadoria e produ\u00e7\u00e3o da mostra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De 14 a 24 de julho acontece a 2\u00aa Mostra de Cinema dos Quilombos, totalmente online e gratuita. A mostra \u00e9 um resultado parcial da pesquisa\/levantamento iniciada em junho de 2020, pelo projeto Cinema dos Quilombos, em parceria com as curadoras Alessandra Brito e Maya Quilolo, sobre o cinema feito nos quilombos no Brasil. A [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-150","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cinemadosquilombos.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/150"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cinemadosquilombos.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/cinemadosquilombos.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cinemadosquilombos.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cinemadosquilombos.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=150"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cinemadosquilombos.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/150\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cinemadosquilombos.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=150"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}